Encontro Semanal

Introdução aos boúges

 

Paz e Amor.

 

Assim como lasmas, flasmas, lamos, os boúges relacionam-se a manifestações do organismo e da estrutura existencial de cada ser. Entretanto, os boúges são manifestações altamente complexas, relacionando-se com aspectos dos sentimentos, das emoções, da afetividade, da inteligência, das simbologias. Relacionam-se a aspectos mentais, corporais, conceituais, incluindo a própria consciência. Há boúges de todas as espécies, das manifestações mais lúdicas até as mais graves, destinando-se a aspectos doentios mentais, ou advindos da complexidade imunológica, atingindo todo o organismo, até a espiritualidade. Os boúges, diferentemente de lasmas e flasmas, são difíceis de serem reconhecidos e de serem retrabalhados. Mas, manifestam-se na ordem da consciência por trás da ignorância, baseando-se essencialmente na falta de confiança que a maior parte das pessoas vive. Boúges relacionam-se às mentiras, às falsas imagens de si próprio, às falsas crenças, às ilusões, às desilusões. Relacionam-se aos medos, relacionam-se às expectativas, falsas expectativas. Boúges são categoricamente complexos, raramente manifestos ou pelo menos no mínimo três ou quatro dos nove tipos básicos que iremos expor. Desta forma, a vaidade, por exemplo, associa-se ao medo, associa-se ao orgulho, associa-se à mentira, etc., configurando situações tão graves do ponto de vista da formação da consciência, a ponto de cegá-la, a ponto de torná-la surda, a ponto de torná-la insensível, indiferente. Os fantasmas negativos são boúges típicos, e para destruí-los será preciso compreendê-los, enfrentar os medos, confiar em si próprio, assumir no coração pleno o amor. Os boúges configuram essencialmente a mente negativa que constrói palácios amplamente sólidos e cheios de saídas secretas, emboscadas mentais, sentimentais, afetivas, auto-aprisionamento, auto- desconstruções, auto-flagelo, auto-limitação. Os boúges são tipicamente desembocados em casos psiquiátricos do tipo das psicoses, dos maníaco-depressivos, esquizoides, e muitos outros problemas mentais, espirituais, comportamentais. As sociedades que scravizam seres humanos baseiam-se em uma lógica boúge, fazendo-se, em termos legais, a irracionalidade, o bougismo, que é a capacidade retórica de enganar os outros, forçando-os a competir injustamente, uns contra os outros, criando sistemas de educação altamente perversos, fortalecendo a desconfiança plena do ser para consigo próprio, tornando-o desastroso, incapaz, medroso, insuficiente por si próprio, ao mesmo tempo, terrivelmente opressor, egoísta, vaidoso, injusto. Boúges são fantasmas que ao longo desde a infância, vão sendo criados perpetuamente, cautelosamente, minuciosamente, cotidianamente, levando o ser humano a ignorar-se, a ignorar ao outro, ao tornar-se indiferente às diferenças, ao torná-lo indiferente e insensível à dor. Boúges são os fantasmas da tristeza, da infelicidade. Boúges são criações das culturas humanas, das sociedades perversas, que impõem com naturalidade a morte dos mais fracos, e a perpetuação das elites, com tamanha naturalidade, que chegam a afirmações obtusas e mentirosas, e recriadas das supostas palavras de Deus, como se Deus, na memória, ou na retórica, estivesse presente e condizente com tamanha consciência ilusória de uns dos outros, em detrimento daqueles mais oprimidos. O sentimento de ser ridículo é um boúge. As auto-críticas impiedosas são boúges, que perpetuam flasmas, lasmas, lasmas endócrinos, jogando para a estrutura orgânica toda falta de resistência necessária para a sobrevivência. Os seres humanos não sabem como criam um universo tão perigoso, prestes a colapsar pela existência real afora. Há muitos perigos na existência, mas quase todos são boúges, são criações, são ilusões, mentiras atrás de mentiras, são escravizações, são imposições, e como se diz: “depois vai reclamar!”; reclamar a sua própria ilusão; reclamar a sua falta de ação. Os boúges são essencialmente a construção negativa da existência, construída meticulosamente há milhares de anos, fazendo-se o ser devedor de si próprio, tornando-o atolado em seu próprio atoleiro. Iremos descrever situações importantes expressas pelas luzes do amor em contrapartida à construção da natureza da natureza humana. É possível tornar-se melhor, é possível amar-se e amar aos outros. É possível superar-se, evitar a construção e reconstrução de muralhas boúgicas. É possível destruir os fantasmas. É possível construir-se genuinamente e fortalecidamente por intermédio do amor. É possível amar a si próprio, respeitar-se; amar aos outros respeitando aos outros, sem se ser cúmplice da destrutividade capitalista. É possível, centímetro a centímetro, reavaliar-se, reconstruir-se, e aos poucos, modificando uns aos outros. Não é possível manter-se fiel às negociatas das sociedades tiranas, sem atingir-se a si próprio. Não é possível conviver com a dor dos outros, sem sentir a sua própria. Mas, é possível dividir o seu amor, multiplicando o amor dos outros. É possível encontrar-se plenamente equilibrado, ao mesmo tempo, ciente da devastação atualmente presente na alma humana. É possível reencontrar os seres em suas luzes de amor. Por isso, importante é conhecer a base existencial dos principais e mais frequentes boúges da  experiência humana. Que sejam possibilidades úteis, não apenas para a sobrevivência, mas para a construção, desenvolvimento de um ser humano mais voltado à sua própria luz de amor. Agradecemos a atenção. Paz e Amor. Paz e Amor. Paz e Amor. Paz e Amor.

Grupo: Uma questão pessoal. Os últimos dois dias, parece que muitos boúges estavam em torno de mim, numa situação social. Seria possível eu ter uma mensagem, algo que me ajudasse a entender o que passei?

NA: É possível, é necessário, é amorosamente possível. Para todos, diante de qualquer dúvida de si próprio, respeite-se e sorria. Não creia na empáfia alheia, não creia na superioridade alheia. Confie humildemente em seu coração. Sorria. Lembre-se dos cantos dos pássaros, da lua cheia, do mar calmo, do rio transparente, do cheiro das  flores, da majestade dos pequenos animais. Lembre-se da dor dos mais humildes, na expressão de sua resistência, na entrega daqueles que já concluíram o seu trajeto, na surpresa daqueles que nascem, na incerteza daqueles que lutam. Confie em seu coração e sorria. Não se ligue àqueles que humilham, àqueles que se exibem, deixe-os ao vento. O vento levará, o vento trará. O vento conduzirá. Confie em seu coração e sorria. Paz e Amor.

Grupo: Boúge é a parte auto-destrutiva do ser humano?

NA: Assim como lasmas, flasmas, lamos.

Grupo: É criação do homem?

NA: É uma criação do homem em seu distanciamento para consigo próprio, ou melhor de si próprio.

Grupo: Isso vem desde que existe o ser humano?

NA: Desde que existem os seres que escravizam os outros seres.Você está me dizendo que não é só seres humanos?

NA: Principalmente os seres humanos modernos, especialmente de 20.000 para cá.

Grupo: Então todas espécies de enfermidades vêm de lasmas, …

NA: Boúges, são ansiedades, medos, vaidade, orgulho.

Grupo: a gente se livra de lasmas lamos colocando a mão no ….

NA: Enquanto alguns lasmas estão apenas em seu nível de lasmas, uma grande parte dos lasmas são associados a boúges, por exemplo, se sentires uma dor de barriga, irá manifestar-se ansiedade e medo e insegurança, especialmente se estiveres em uma situação social. Desta forma, lasmas associados podem ser queimados, mas não destruídos, pois manifestam-se como ressonâncias selidentes mais profundas da estrutura relacionadas aos boúges intestinais. Muitos têm formas vérmicas, ou são essencialmente associados a experiências infantis de desapego das mães, dos pais, etc. cada caso é um caso. Essencialmente, é possível superar com formas específicas de compreender a si próprio, como já demonstramos com a primeira luz, quando se consegue superar a recriação de boúges e lasmas apenas imaginando ou lembrando de algo positivo ou expressivamente relacionado ao amor.

Grupo: Características pessoais como a timidez é algo com que a pessoa nasce, ou se constrói socialmente, por boúges?

NA: Certamente, timidez é um boúge. É construído paulatinamente, exclusivamente, delicadamente. Ninguém nasce predispostamente apto a ser o que se é de certa idade para sempre. Pois, tudo é complexo, nem a genética prevê comportamentos complexos. Entretanto, é necessário que se compreenda que desde a concepção, o relacionamento da mãe com os filhos, dos pais, já pré-configuram e ensinam, já oprimem e predeterminam, pois os pais, sejam crianças, adolescentes ou adultos, já carregam o suficiente para escravizar, para impor, para se tornar indiferente, ignorando, para perder a paciência, para perder as limitações. Certamente, há de ser complexa a compreensão dos boúges, mas bem mais simples há de ser para destruí-los, desde que confie em si próprio, desde que respeite a si próprio, desde que se ame, desde que compreenda aos outros, desde que respeite aos outros, desde que ame a vida, e que não se perceba na defensiva de sua existência. É possível apenas sorrir e amar-se e muitos boúges complexos podem se desfazer, pois são essencialmente ilusão da ilusão, da mentira, da covardia, da ignorância, da dor, do esquecimento, da desavença, da incompreensão, etc.

Grupo: Algo comum no consultório – desamparo do ser humano. Nasce em desamparo, dependente do outro. Essa dor que o ser humano traz com ele, é daqui, do social, ou se é do ser (espírito) se materializar, se isso já produz essa dor nele.

NA: É necessário que se sinta indivíduo, e a experiência inicial na infância é exatamente sentir-se indivíduo acolhido por outro indivíduo. Essa é a experiência do amor, o amor cura, mesmo em experiências em outras vidas são resolvidas no acolhimento materno amoroso, sincero, paciente, respeitador. Não é necessário ser perfeito para resolver os seus problemas. Necessário apenas descobrir-se, descobrir o seu amor e respeitar-se, por si e pelos outros, e muitos dos boúges anteriores perderão sentido e se desfarão naturalmente, recanalizando os fílens em sua busca eterna pelo amor, o amor em seu próprio eixo consciencial. É a natureza da natureza humana. Mas, aquela criança que não encontra o seu respaldo pode reavivar-se ou não em experiências anteriores. Pode reconstruir-se reagindo ao chamado do seu amor interno, ou pode ignorar-se, negando a si e aos outros. De qualquer forma, a infância é um momento sublime. Essencialmente, a primeira infância, quando o mundo se revela em sua opressão tirânica, cheia de dentes, cheia de gozo perverso, cheia de mentiras, e impõe uma falsa verdade, de natureza humana, sem precedente para aquele ser que descobre suas pequenas e significativas potencialidades. Este ser está sendo constantemente julgado e execrado pela injustiça da humanidade como um todo, mas reforçamos: é possível mudar essa situação. Paz e Amor.

Grupo: Os lasmas, lamos têm até formas e tamanhos. E os boúges?

NA: Os boúges, por serem mais complexos e profundos, podem até se materializar. Muitos fantasmas reais não são seres, são boúges, são pura imaginação de alguém. Assim, boúges intestinais parecem vermes. Boúges respiratórios parecem manchas, boúges mentais parecem que retiraram-se as potencialidades, as habilidades, a memória, e por aí vai. Iremos descrever pelo menos os nove tipos mais importantes de boúges. Muitos deles são gravíssimos e podem estar presentes em mais da metade da população humana. Outros são mais raros, mas 100% da população humana tem boúges abundantemente ativos, mas certamente fáceis de serem retirados nas condições já descritas.

Grupo: Nossas ligações, como o campo de uma pessoa interfere no da outra. A gente pega boúge do outro, por estar perto, como se pega?

NA: Cada caso é um caso. Pode ter duas pessoas com aparências boúgicas idênticas mas com comportamento adversos. Não há..??… Há as características de cada ser em conjunção com sua experiência, em conjunção com suas reações próprias, em conjunção com seu desenvolvimento, etc.. Vários outros fatores podem contribuir para que pessoas sejam assediadas, podem contribuir para que pessoas ganhem sozinhos na megasena, ou viver o resto da vida em experiência de autosuperação, sem movimentarem, presos na escravidão de si próprio. As situações são específicas para cada ser, assim como específico é o seu próprio corpo, o seu gesto, o seu olhar, o seu respirar, o seu sentir, o seu ser.

Grupo: Queria pedir uma mensagem. Pro meu sobrinho, afilhado, filho do meu irmão que faleceu. Está passando por coisas que o pai viveu. Pedir ajuda a vocês para estarem ao lado dele. E uma mensagem, por favor.

NA: Caro irmão, quem vos fala é um ser de outro mundo, que diz do seu coração: “confie em si mesmo”. Não aporte-se nas escadas, nas brigadas, nas passarelas, ou nos portais de outros. Olhe para si, ciente de seu próprio equilíbrio. Não dependes da luz do além, não dependes muito menos dos seus medos. Aceite-se naturalmente, como és. Ame-se, respeite-se, pare por um instante, reorganize-se, escute aqueles que contra o seu pensamento vigente, lhe tenta amparar. Aceite com humildade ajuda do amor. Aceite a si por enquanto, sem dor. Ame-se. Paz e Amor. Paz e Amor.

Grupo: Para a xxxxx.

NA: Cara irmã, sente-se. Inspire, sinta-se, permita-se ser o que busca ser. Confie em seu coração. Escute-o. Cara irmã, não se iluda ao momento em que percebe sair do eixo, o eixo do seu sentir. Preste atenção às suas próprias possibilidades. Não fuja do seu centro. Ame-se, respeite-se. Paz e Amor.

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NA: A luz do sol pode dissolver flasmas, lasmas e boúges. A luz do amor pode transformá-los, proporcionando a cura, resistência, e compreensão. Entendam, irmãos, amar a si próprio é descobrir a luz do amor. Entendam, irmãs e irmãos, a luz do amor é a luz da consciência. A consciência que respeita a vida. Paz e Amor. Paz e Amor.